O ensinamento africano

Diébédo Francis Kéré desperta um duplo encantamento: por sua história de vida e por sua arquitetura. Nasceu no vilarejo Gando, no interior de Burkina Faso, país com o sexto pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dentre todos os membros da ONU. Primogênito do líder da aldeia, foi o único dos irmãos que teve direito a frequentar uma escola – a mais próxima ficava a cerca de 40 quilômetros de distância de sua casa. Para poder fazer o curso superior, foi obrigado a se mudar para muito mais longe: Kéré obteve uma bolsa para estudar arquitetura e engenharia na Universidade Técnica de Berlim, na Alemanha, cidade onde fundou e mantém seu escritório.

A lonjura geográfica não o deixou indiferente à escassez do lugar de origem. Sua expectativa com a profissão era dar um retorno aos tantos conterrâneos que permaneceram no povoado da África Ocidental. Ainda estudante universitário, em 1998, criou uma fundação para captação de recursos para a construção de uma escola primária em Gando. Finalizada em 2001, ela deu às novas gerações a oportunidade que Kéré teve na juventude.

“A arquitetura pode trazer muito para uma comunidade como a minha”, afirma Kéré. “Quando comecei a construir no meu lugar, as pessoas não sabiam o que significava arquitetura. Elas têm seus recursos, mas não sabem como utilizá-los. Então, a arquitetura opera como um chamado de alerta.”

Leia na íntegra na Bamboo 56 (março 2016)
http://bamboonet.com.br/posts/nascido-em-um-lugarejo-sem-eletricidade-ou-agua-tratada-diebedo-francis-kere-cursou-o-ensino-superior-em-berlim-e-se-tornou-um-expoente-exemplar-da-arquitetura-social

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