Monta, desmonta e remonta

As Olimpíadas duram uns quinze dias. Holofotes do mundo inteiro são lançados na cidade sede. Um mês após, há certa sobrevida desta animação com as Paraolimpíadas. Em seguida, acabou a festa; o palco deste mise-en-scène global precisa ser absorvido pelo cotidiano.

Se a cidade não incorporá-los, os equipamentos olímpicos se tornarão ruínas (vide Atenas). Quando a edificação perde a sua vitalidade, inevitavelmente geram-se resíduos: a obsolescência ou será da arquitetura como um todo, ou virá da desarticulação das partes convertidas em restos jogados ao relento, num vagaroso processo de decomposição em algum canto do mundo. A segunda alternativa para o fracasso da arquitetura olímpica é fazê-la desaparecer; o que, a princípio, depende do nada pacifico (nem isento de custos) ato de demolir. Como dotar uma estrutura olímpica de uma razão de existência após a cerimônia de encerramento?

A estratégia para a Arena do Futuro, no Rio de Janeiro, é de programar totalmente o seu ciclo de vida. Monta-se um ginásio que abrigará as competições de handebol e golbol dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016; findo os dois eventos, desmonta-se o edifício; e, nos meses seguintes, remonta-se, porém transfigurando-o em quatro escolas públicas municipais. Nobre e necessário destino para a tão questionável demanda estrutural do comitê olímpico: afinal, a aparente festa de todos os povos escancarou-se como o negócio e o lucro de alguns poucos, e um altíssimo custo para as populações locais. A sobriedade da estrutura da Arena carioca retrata uma consciência crítica dessa conjuntura, opondo-se ao espetáculo formal gratuito tão latente nos ginásios e estádios das Olimpíadas da década passada.

Leia na íntegra na edição 263 da AU (fevereiro 2016)
http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/263/arena-do-futuro-recebera-jogos-de-handebol-na-olimpiada-e-367863-1.aspx

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Todas as fichas na arquitetura

É preciso avisar de antemão: este não é um projeto feito por caridade. Nem mesmo se encaixa a definição de habitação social. De fato, a história da Casa na Vila Matilde restitui algo de elementar à arquitetura.

[…]

Cabe também acrescentar que este não é um caso de fé à profissão. Provavelmente, dona Dalva não conhece Le Corbusier. Dona Dalva não sabe dos benefícios da planta livre, nem dos outros quatros pontos para a arquitetura moderna. Dona Dalva não deve estar ciente da importância gregária do salão caramelo da FAUUSP. Pelo processo de construção, Dona Dalva não deu indícios de se importar com as condições operárias no canteiro de obras. Dona Dalva não se encanta com os hightechs, desconstrutivistas, metabolistas ou sustentáveis. Dona Dalva não aprendeu com Las Vegas. Ou seja, dona Dalva passa ao largo da intelligentsia arquitetônica, mas mesmo assim, por algum motivo, eles apostaram todas as fichas na arquitetura.

Leia na íntegra na AU 259 (outubro 2015)
http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/259/com-orcamento-restrito-e-terreno-exiguo-arquitetos-do-terra-e-365010-1.aspx