Economia do Espetáculo

Desde a virada do milênio, os star architects e seus icônicos projetos vinham sendo venerados pelo planeta, até a recente onda que redireciona o foco para uma arquitetura de caráter social, na qual o papel do arquiteto é o de melhorar as condições de vida dos que mais necessitam. À primeira vista, essas duas tendências seriam antagônicas, certo? O escritório espanhol SelgasCano emergiu problematizando tais aparentes opostos.

Leia na íntegra na Bamboo 59 (junho 2016)
http://bamboonet.com.br/posts/apesar-de-sua-aparencia-iconica-tal-qual-a-de-edificios-criados-por-star-architects-a-arquitetura-do-escritorio-espanhol-selgascano-e-exemplar-da-contencao-de-meios-a-favor-do-bem-estar-dos-cidadaos

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Dissatisfied São Paulo

A voracious spirit characterises the city of São Paulo. This peculiar trait is nothing new. It may have been present among populations inhabiting the area even before the arrival of European colonisers, and was certainly well understood by the Modernist writer Oswald de Andrade in his Manifesto Antropófago (Cannibal Manifesto, 1928) as a typically Brazilian strategy: the act of swallowing a foreign culture in order to – when digesting – emerge as a singular culture. Nowadays, this anthropophagic nature persists, expressed most clearly in São Paulo’s ability to constantly build, demolish and remake Brazil’s largest metropolis.

With a population surpassing 20 million people, nothing is static in São Paulo. Continuous swallowings and digestions take place everyday, everywhere. Places and buildings come and go at such a pace that we find it difficult to keep up with the changes. During the last decades of the 20th century, São Paulo’s state of permanent transformation worsened the city. This contributed to an overriding desire for personal safety, and the individualistic mindsets of ‘paulistas’, as São Paulo residents are known, resulted in a proliferation of expressways and gated residential communities.

But the current urban model of explosive growth already shows numerous signs of exhaustion. And with that, different interest groups and organisations have started to externalise their desire for change in certain neighbourhoods across the city. In June 2013, a variety of initiatives across São Paulo converged in a moment of ebullition that has clearly established public space as a new agenda.

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Leia na íntegra na Architectural Design – Brazil: Restructuring the Urban (maio 2016)
http://www.wiley.com/WileyCDA/WileyTitle/productCd-1118972465.html

Correntezas Renovadoras

“Da celebração efêmera ao desfrute do cotidiano.” O motto proferido por Héctor Vigliecca sintetiza o intuito central dos arquitetos do Parque Radical, trecho norte do Complexo Olímpico de Deodoro. Envolto em bairros com os menores Índices de Desenvolvimento Humano do Rio de Janeiro e extremamente carentes de serviços públicos, não seria cabível que o custoso investimento fosse destinado exclusivamente às semanas das Olimpíadas e das Paraolimpíadas. O destino do projeto não pode se limitar ao usufruto dos competidores e espectadores que vem de longe, mas deve contemplar igualmente a população das cercanias que passará a ter acesso livre ao novo segundo maior parque da cidade – atrás apenas do Aterro do Flamengo. O Parque Radical dá uma inédita perspectiva de lazer e atendimento social a moradores da Zona Oeste carioca e da Baixada Fluminense.

Leia na íntegra na AU 266 (maio 2016)
http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/266/a-parte-norte-do-complexo-olimpico-deodoro-com-canoagem-370379-1.aspx

Reversíveis Equipamentos

Meio templo, meio hangar. Assim, a Arena da Juventude remete, concomitantemente, ao classicismo e à indústria. Externamente, a configuração assemelha-se a de um templo grego: uma sequência de delgadas colunas metálicas circunda a área fechada do ginásio, conformando um peristilo contemporâneo. Entretanto, no seu comedimento de elementos, é possível associar o novo equipamento olímpico a um grande galpão, constituído por elementos industriais pré-fabricados, alguns deles encontráveis em catálogos de materiais de construção, e que, por fim, resultaram em uma obra de rápida montagem e execução.

Distante do epicentro do megaevento global do agosto próximo (o Parque Olímpico da Barra da Tijuca) e sem alarde na cobertura da imprensa acerca da preparação dos Jogos, há algo de surpreendente ao avistar a Arena da Juventude às margens da Avenida Brasil carioca. Para quem passa de carro, o elegante e austero edifício é um prenúncio de transformações da pouco cuidada Zona Oeste do Rio. Com projeto do escritório Vigliecca & Associados, a Arena está na parte central do Parque Olímpico de Deodoro, que também conta com o Parque Radical e os Centros Olímpicos de Hipismo e de Tiro Esportivo.

Leia na íntegra na AU 266 (maio 2016)
http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/266/olimpiada-2016-arena-da-juventude-e-centro-de-hoquei-por-370306-1.aspx

Sereníssimo Refúgio

escrito com Clara Varandas Abussamra

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Reúne o material. Encaixa as peças. Monta a casa. Coloca na caçamba do caminhão. Parte da pequena fábrica nos arredores de Montevidéu. Carrega a residência por mais de uma centena de quilômetros pelas estreitas estradas uruguaias. E encontra a paisagem suavemente ondulada de Finca Aguy.

Destoando das constantes planícies campestres que predominam na geografia do Uruguai, essa região de tênues serras e pedras está sendo descoberta para o veraneio. Esse plácido cenário natural a 12 km do vilarejo mais próximo – Pueblo Éden – foi escolhido para ser o lugar de reunião de uma família argentina, que tem cada membro residindo em um diferente canto do mundo. Nesse refúgio viram a possibilidade plantar oliveiras e iniciar uma pequena produção de azeite.

Leia na íntegra na AU 265 (abril 2016)
http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/265/residencia-pre-fabricada-e-montada-em-dois-dias-no-interior-do-368862-1.aspx

O professor prático

É extremamente interessante quando arquitetos com tantos notáveis projetos vão para os círculos acadêmicos a fim de transmitir sua experiência aos alunos. Costumeiramente, vê-se com bons olhos a presença de arquitetos da prática compondo a lista de membros do corpo docente de uma universidade. A priori, esta é a informação de grande valor para apresentar o arquiteto espanhol Juan Herreros, sócio-fundador do Estudio Herreros e professor das Universidades de Madri e de Columbia, em Nova York. Entretanto, a questão-chave está presente na sua afirmação: “Os projetos dos meus alunos não se parecem com o que produzo no meu escritório.” A frase é tão óbvia quanto estranha para os corpos docentes de várias faculdades de arquitetura brasileiras. Para Herreros dar aulas não é doutrinar, não é a sobreposição do desenho do professor em cima do que é feito pelo aluno. O ensino é associado ao diálogo.

Dialogo que Juan Herreros se dispôs a ter com a revista AU durante sua passagem pelo Rio de Janeiro, em companhia de seus alunos da Universidade de Columbia, para a comemoração dos cinco anos do Studio X e a abertura da exposição “Lutar, Ocupar, Resistir. As alternativas habitacionais dos movimentos sociais”. Nesse conversa, Herreros enfatiza a importância da ideia de híbrido: a mescla de programas, funções, períodos históricos e classes sociais nos edifícios e cidades. Tendo projetado em locais tão diferentes quanto Coréia do Sul, Panamá, Noruega, Marrocos, Colômbia, o arquiteto espanhol também explica o que entende por prática global. Prossegue questionando a “mistificação do detalhe construtivo” e reconhecendo as virtudes da matéria industrial, o que o faz contrapor-se ao “entendimento épico da prática da arquitetura” na qual o arquiteto deve intervir em cada centímetro. Assim, Herreros alerta sobre o papel do arquiteto na contemporaneidade: projetar e construir não são o suficiente.

Leia na íntegra na AU 265 (abril 2016)
http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/265/juan-herreros-sobre-o-ensino-a-pratica-e-a-cidade-370131-1.aspx

Edifício-rio

Os arredores da cidade de Nova York possuem escapes fundamentais quando se quer apreciar arte e cultura. Desde o segundo semestre de 2015, é preciso adicionar o Grace Farms à lista que inclui os imperdíveis Dia Beacon e Storm King, voltados para a arte contemporânea.

Cerca de uma centena de quilômetros ao norte de Manhattan, a nova instituição cultural chama atenção, por um lado, pelo projeto arquitetônico do celebrado escritório nipônico Sanaa; por outro, por um programa de atividades diverso que propõe, para além do contato do público com obras de arte excepcionais, encontros por meio de palestras, cursos, cerimônias místicas, prática de esportes ou reuniões comunitários.

No Grace Farms, a leve e delicada arquitetura da dupla Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa encontra a bucólica paisagem natural de New Canaan, no estado de Connecticut. A presença da construção é determinada pela sinuosa cobertura que acompanha as declividades da topografia campestre, tal como o Sanaa antecipou no pavilhão temporário da londrina Serpentine Gallery de 2009.

Leia na íntegra na Bamboo 57 (abril 2016)
http://bamboonet.com.br/posts/projeto-do-sanaa-abriga-novo-centro-cultural-proximo-a-nova-york-que-reune-arte-natureza-e-comunidade